Resumo Executivo
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Texto da Matéria
A CÂMARA MUNICIPAL DE PINHAIS, Estado do Paraná, aprovou e eu, Prefeita Municipal, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - Denomina de Luiz Cassiano de Castro Fernandes o Bosque Municipal, localizado na Rua 24 de Maio, s/n - Centro, Pinhais - PR.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Justificativa
Luiz Cassiano De Castro Fernandes
A intensa vida política nunca foi capaz de dissolver o seu gosto pelas coisas mais simples. O Homem do Chapéu, como era conhecido, trocava fácil a culinária impessoal de qualquer restaurante por um bom e caseiro filé assado com maionese ou batatas fritas - quando não as duas coisas -, arroz e salada. Nem poderia ser diferente. De ascendência alemã, tinha nas veias também a história e a força do povo indígena. Faleceu no dia 4 de julho de 2020, aos 78 anos, vítima dos tempos.
Luiz Cassiano de Castro Fernandes, mais conhecido como" O homem do chapéu"nasceu gaúcho, em Caxias do Sul, o segundo dos cinco filhos de Wanda dos Santos Mallmann e Aristeu de Castro Fernandes. Veio ao mundo em 4 de julho de 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, mas era paz o que o seu semblante transmitia. As sobrancelhas fartas e escuras de outrora nunca pesaram sobre olhos amargos, nem mesmo quando pratearam. Ao contrário, emolduravam um rosto amistoso com covinhas e marcado por uma existência inteira de sorrisos.
Adolescente ainda decidiu sair de casa e assumir a vida adulta. Passou então a morar com amigos e a trabalhar para garantir o próprio sustento. Nunca mais parou. Foi engraxate, soldado do Exército, perito criminal, corretor de imóveis, empresário. Na vida pública, contudo, e no servir ao bem-estar do próximo, descobriu seu propósito maior: em Piraquara, foi vereador de 1967 a 1976 e prefeito de 1977 a 1992, ano da emancipação política de Pinhais. Participou da transição do então distrito à condição de município e, mais tarde, também administrou a nova cidade - foi prefeito de Pinhais por duas ocasiões, de 2001 a 2006.
Sensível, era extremamente amigo dos verdadeiros amigos. “Ele dava a vida pelas pessoas que amava”, lembra um deles. E, por importar-se tanto, passou pela Terra a inspirar afeto. “Ele é ainda hoje lembrado com muito carinho pela população de Piraquara e pelo povo de Pinhais. Dizia sempre que, na política como na vida, um homem tem que ser leal”.
Luiz Cassiano, morava em Pinhais havia mais de meio século e saía pouco de casa, mas pode ser encontrado de muitas maneiras. Está nas ações de preservação implementadas em Piraquara numa época em que ainda não se ouvia falar em crise climática - como prefeito, foi ele quem criou o mais importante Plano Diretor da cidade, que até hoje protege o meio ambiente e as reservas de matas e águas e que o levou à Alemanha para compartilhar a iniciativa. Está também na construção da rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel (antiga Estrada do Encanamento). E está, principalmente, em Pinhais: no lazer gratuito do Bosque Municipal Nossa Senhora da Boa Esperança, cuja área foi desapropriada por ele anos atrás; no amparo diante da dor - o Complexo Cerimonial, erguido por ele, reúne o único cemitério e crematório públicos do município; no chão, nas tantas vias pavimentadas graças à usina de asfalto que construiu para melhorar a vida dos moradores. Quando assumiu a Prefeitura, em 2001, eram mais de 500 quilômetros de ruas de terra. Ao fim de sua gestão, estavam prontos o asfalto em aproximadamente 250 quilômetros de ruas e avenidas, e a usina, que viabilizou o trabalho das administrações posteriores.
O Homem do Chapéu está ainda nas lembranças de grande parte dos servidores públicos de Piraquara e Pinhais, pelo histórico de valorização, e na essência de gerações inteiras beneficiadas por maciços investimentos no Ensino Básico. Sob sua administração, Pinhais foi considerada uma das cidades brasileiras com melhores índices de educação municipal. Ainda assim, escapava de quaisquer investidas de bajulação e sugestões de propaganda; dizia que era pago pelo contribuinte para trabalhar e que “o que uma mão faz, a outra não precisa saber”.
E do que é que ele gostava, afinal?
“De sentir as pessoas, de acompanhar as obras de perto, de estar com quem põe a mão na massa”, conta o amigo. Talvez por isso é que estivesse sempre vestido à caráter: uma calça jeans surrada, camisa polo com bolso para os óculos, as botas pretas companheiras de andanças e uma velha jaqueta de couro eram o uniforme ideal para o dia a dia.
Das alegrias que teve, uma das grandes foi a homenagem feita à mãe, cujo nome batiza o Centro Cultural Wanda dos Santos Mallmann, em Pinhais. Isso e, acima de tudo, a família formada pelas mulheres da sua vida: as filhas Cassiana e Fernanda, e a esposa, Margarida, com quem dividiu as últimas três décadas.
Que lição de dignidade nos deu Luiz Cassiano, com que coragem enfrentou suas diversidades. Com que dignidade ele continuou vivendo seus dias de trabalho fazendo a diferença, Era um amigo e um cidadão que dispensou a este município além de amor, além de determinação, um enorme carinho para com o povo.
* 04/07/1942
† 04/07/2020